almerinda comedora de doces

29 Oct

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A história da outra parte da família é liderada pela avó Almerinda. Irmã quase caçula em uma família de 10 irmãos todos com nomes começados com a letra A e, veja bem, nenhunzinho do tipo André ou Alexandre. Almerinda nasceu, cresceu, casou, teve filhos em Niterói de onde se mudou na década de 50 para a metrópole Paulistana. Meu avó escolheu morar na rua José Paulino, na época cheia de imigrantes e prostitutas, porque queria estar perto do trem. A família da forte Almerinda era toda de homens, liderada por meu avó Ferry, seguida por meu tio Sérgio, meu outro tio Ferry e, finalmente, meu pai Maurício. Em uma família de homens, a vó manteve a doçura comendo doces – já que teve que aprender a ser ácida para seguir adiante. Meu avó se foi, seguido por meu tio Sérgio, em um momento onde meu pai e meu tio Ferry já moravam longe daqui. A vó seguiu sozinha, com a companhia esporádica dos 8 netos que os 3 filhos tinham lhe dado.

Hoje, com 93 anos, vó Almerinda vive em seu apartamento com uma acompanhante, que a ajuda a não ficar pendurada no armário quando decide pegar alguma coisa no maleiro, a não confundir a porta do armário com a porta do banheiro durante a noite, a levantar se cair e a controlar a gulodice.

Certa vez, vó Almerinda comprou um litro de sorvete para uma das netas. Como a neta cancelou a visita, vó Almerinda pôs-se a comer o tal do sorvete, dia após dia, sem titubear, e comprando outros potes quando este acabava. Na próxima visita ao médico, ela não sabia explicar a causa do colesterol altíssimo!

Mas o que a vó adora mesmo, é bicho do pé, aquele docinho rosa de festa infantil. Ele é tudo o que uma senhorinha de 93 anos pode querer: rosinha, macio e mais doce que rapadura em dia de festa. Tentando inovar, a neta aqui levou de presente um ovo de Páscoa rechado de bicho do pé achando que ia ser sucesso na certa, mas dias depois ela vem me dizer “acho que você fez besteira. Chocolate é bom, bicho do pé é bom, mas os dois juntos não ficou bom não, e aposto que você pagou caro por isso…” E paguei mesmo! E aprendi a lição de que não adianta inventar, é o docinho inocente que faz a alegria da irônica vovozinha.

(Aliás, tentei várias receitas do doce e nenhuma deu certo. Fica muito rosa, muito puxento, muito farinhento. Desisti e agora só compro aquele lindão da padaria).

Além, de bicho do pé, a vó almerinda adora:

– doces em calda, com calda, sem calda, mas sempre molinhos

– cafuné

– televisão alta

– cócegas nas costas

A vó almerinda odeia:

– cheiro de cigarro

– muita gente ao mesmo tempo

– tirar foto

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